Reportagem fotográfica
Um estudo promovido pela Forrester Consulting, a nível europeu, revela que as empresas têm ainda um longo percurso a percorrer para corresponderem às necessidades e estilos de trabalho dos novos profissionais que cresceram na era digital.
Os Millenials (geração pós anos 80), como são rotulados por esta consultora, valorizam a flexibilidade e um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, e gostam de ter ao seu dispor ferramentas de colaboração.
A pesquisa, patrocinada pela Xerox, incidiu sobre 1600 gestores de negócio localizados em 16 países europeus. 10% desta amostra corresponderam a empresas com menos de 100 empregados, 66% entre 100 e 5000 empregados, 5% entre 500 e 1000 empregados e 19% acima dos 1000 colaboradores. Em Portugal foram avaliadas 50 empresas, surgindo o nosso País como a nação mais receptiva aos Millennials. 86 % dos inquiridos nacionais referiu que as suas empresas reagiram às necessidades das gerações mais novas, contrariamente à Finlândia, com apenas 56%.
A análise “Está a Europa preparada para os Mellennials” revelou ainda que existe uma elevada percentagem de empresas que possibilitam aos seus empregados uma flexibilidade de horário de trabalho (76%), assim como trabalharem, pontualmente, a partir de casa (67%). No entanto, poucas organizações fornecem as ferramentas, comuns dentro da geração “Millennials”, necessárias para suportar o trabalho remoto, a menos que estas ferramentas estejam já estabelecidas e façam parte da experiência da maior parte das pessoas como consumidores. O telefone móvel e o laptop são as únicas tecnologias móveis fornecidas por grande parte das empresas, com apenas uma pequena minoria a equipar os seus colaboradores com ferramentas, tais como PDAS (11%) e dispositivos de e-mail móvel (10%).
O cenário é semelhante quando se trata de estilos de trabalho e infra-estrutura dentro da empresa. Os portais baseados em browsers e a impressão sem restrição são os recursos aos quais a maioria dos trabalhadores tem acesso (61%). No entanto, apenas 5% dos inquiridos referiu que a sua empresa fornece leitores MP3/4 e somente 15% têm acesso a webcasts.
Para Rui Brites, director-geral da Xerox Portugal, «as empresas que falham na resposta às actuais necessidades básicas dos seus empregados, numa sociedade rica em informação e maioritariamente online, vão estar em desvantagem. Vão ter de lutar para reter recém licenciados e para compreender as necessidades das gerações futuras de parceiros e clientes». Na sua visão, uma das principais razões porque existem poucas empresas que obtiveram sucesso em tornar o seu local de trabalho atractivo para a geração Millennials prende-se com o facto de maioria dos decisores não ter crescido com os blogs, webcasts, PDAs, entre outros. Estas ferramentas são totalmente novas para alguns decisores e, por esta razão, vão precisar de tempo para se adaptarem. «Para os Millennials estas ferramentas são simplesmente um estilo de vida – algo que utilizam intuitivamente. Os departamentos de formação e de RH devem garantir que todos os executivos seniores, independentemente da sua idade, adquirem experiência na utilização das ferramentas mais comuns que são utilizadas pelos “Millennials”. Reconhecer a diferença no estilo de trabalho e tomar medidas, que, só por si, considera favoráveis, não é suficientes».
O trabalho móvel foi identificado pela maioria dos inquiridos como uma tendência a aumentar no futuro. Segundo estes dados, 71% do total dos inquiridos acreditam que o número de empregados que trabalham fora da sua empresa vá aumentar até 2010. O trabalho flexível está ainda suportado por um vasto número de organizações (76%). Uma grande maioria dos inquiridos prevê que as tecnologias colaborativas que actualmente não são utilizadas em grande escala pelas empresas, vão estar disponíveis para os empregados até 2010. Por outro lado, 67% dos inquiridos referiu que as suas organizações vão fornecer dispositivos de email móvel aos seus empregados, e 58% mencionou que prevê fornecer PDAs até 2010.



